Continuando a conversa, enquanto aguardávamos no carro, sobre lembranças de infância de minha mãe-escritora. Anna relata: Fato mais chocante: papai não providenciou minha certidão de nascimento. A meninada que me pedia cola, e eu esnobando porque estudava muito. No final eles passaram de ano - e eu não, porque não tinha a certidão. Eu chorava muito, fiquei muito triste. Enfim, papai me matriculou noutra escola: o Ginásio Anchieta, que já acabou, não existe mais. Eles davam, por ordem, quem era o primeiro aluno - eu recebi o boletim - eu estava em sexto lugar. Aquilo eu não gostei. Pensei: vou tirar o primeiro lugar. Consegui. Outra menina, Ana Lúcia, era filha de correligionário do Professor Villela, dono da escola. Eu gostava demais desse professor, mas tinha hábito esquisito de se automutilar. Botava um alfinete na boca e mordia a língua, porque não queria comer, não queria ter fome! Sangrava e chupava o sangue. Apesar disso, era brilhante. Eu o admirava, que inteligência soberba! E ...