O segredo de Anna Wolff - uma autobiografia
Encontrei esta página autobiográfica de minha mãe-escritora:
Sei agora o porquê das coisas como aconteceram comigo. Tudo parece ter uma coordenação Superior, então todo sofrimento desaparece porque encontro a finalidade, o porquê dos fatos. Sei que nasci para escrever e esta é a minha rota nessa vida. E, para forjar a minha alma, foi necessário que eu vivesse todos os encantos e desencantos. É certo que sempre escrevi como quem respira. Porque é o ato indispensável para que eu tenha vida. As palavras brotam de dentro de mim como água que nasce na terra e tem de verter. Aprendi a ler e escrever sozinha, aos quatro anos de idade, porque vivia dentro de uma escola. Mas, até para isso foi necessário o fato dramático que me aconteceu, logo aos três anos: perdi minha mãe. E sofri tanto com a ausência dela que, com a alma doendo, ia com a minha tia para a escola onde ela era a proprietária e a professora. Eu ficava vagando de sala em sala - e aprendi só de ver a professora ensinar as outras crianças nas diversas séries. Depois chegava ao pátio dos fundos. Sentava-se ao pé de uma árvore de florezinhas brancas e buscava um cheiro inexistente. Era uma ausência igual a que sentia de minha mãe. E me diziam que a minha mãe havia morrido, estava embaixo da terra e tinha ido para o céu. Eu queria experimentar o que ela estava sentindo… Assim, despertei em mim a capacidade de sentir, vibrar cada emoção. Não havia ninguém em toda minha infância capaz de compreender a criança órfã, cheia de imaginação, mas que mentia muito. Eu era incorrigível: tinha necessidade visceral de mentir - estava treinando a minha criatividade. Desta forma ambos os hemisférios do meu cérebro começaram a se desenvolver. Assim vi nascer minha clarividência. Eram as minhas mentiras que tornavam verdades. Então eu toda vibrava com assombro do futuro que sabia que ia acontecer. Mas foi preciso sofrer a ausência de mãe para fazer sacudir todo meu ser e pensar na transcendência da alma.
Tinha dez anos quando senti a ausência mais crucial - minha avó, a quem eu muito amava, faleceu. Acompanhei-a ao cemitério e vi quando a baixaram ao túmulo. Fato doloroso para minha idade, então, que se tornou a seguir insuportável, pois mais dor senti foi quando tiraram de dentro da sepultura uma caixinha de 50cm por 20cm de altura aproximadamente, escrito algo no tampo. A seguir, atiraram a caixinha por breve momento sobre a lápide tumular. Estiquei-me para ler… e li, para jamais esquecer… o nome de minha mãe. A quem eu não tinha acreditado nunca que estivesse mesmo morta e na minha fantasia infantil achava que algum dia ela voltaria. Sim. Estava ali. Atirado ali. E não era nada mais do que uma caixinha. Ela estava ali! Suas cinzas estavam ali. Uma dor aguda passou em todo meu ser. Então… tudo termina assim? Não há mais nada? E naquele momento de monstruoso inconformismo nasceu minha busca pelo transcendente. E um dia iria estudar tudo, tudo de Parapsicologia. Estudar? Não exatamente. Vivenciar no campo extrassensorial todos os fenômenos para saber o que é verdadeiro ou falso. Então eu amei a verdade como a única fonte de realização, pois para mim onde está a verdade existe um pensamento de Deus, que é a própria Verdade.
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