Escrever cartas é sempre muito bom! No final, torna-se um testemunho de nossas vidas
Livro que valoriza a escrita de cartas terá lançamento em São Paulo e Poços de Caldas. Notícia da redação do Publish News de 20/04/2026. "Encontro escrito à mão", por Bruna Maciel Borges e Fábio Lucas.
O livro propõe um retorno à escrita de cartas como gesto de atenção, escuta e presença. Lembrando o que se perde em meio à velocidade da comunicação digital. A resposta busca recuperar a dimensão intimista e direcionada da palavra no papel.
Quero comentar que as cartas da Anna Wolff sempre foram profundas e pungentes, buscando novas alternativas para sua carreira de escritora. Como nesse trecho de 1979, em carta para a agente literária Carmen Barcel:
Tenho lido notícias sobre sua atuação muito eficiente. E há muito tempo que preciso de alguém como a sra. Até pensei que em nosso país não houvessem agentes literários.Tenho escrito muito nesses últimos anos e encontrado grande facilidade de comunicação com o público pois tudo que escrevo eu mesmo edito e coloco. E parece que sempre estou editando em pequena quantidade pois os pedidos são maiores do que minha distribuição efetiva.
Desenvolvi por alguns anos uma pequena editora dedicada à montagem de cursos didáticos. Mas senti-me desviando-me do meu verdadeiro objetivo que é escrever. Meu tempo útil era todo dedicado ao atendimento da indústria e da escola onde mantinha os cursos de minha autoria.
| Nova Friburgo, 1979 |
Até que decidi mudar todo o esquema: de São Paulo vim para Friburgo - para um recanto inspirador. Num bangalô rodeado de flores e pássaros e árvores frondosas. Aqui achei o ambiente ideal onde pude dar vazão à criatividade. Assim pois tenho muitas obras para negociar quer seja no campo didático, ficção, novelas, script de filmes, poesias e músicas.
| Vista da rua do bangalô, 1979 |
Nesse período da carta, ela escreveu dezenas de poesias. Entre elas, as que vão compor o nosso próximo lançamento, o livro "Apaixonados".
Rosas brancas
Por ANNA WOLFF
Vendo-as tão
pálidas
Em ávidas
mãos estiradas
Senti a dor
pungente
São as rosas
de nossa gente?
Rosas
brancas assim
Produtos de
que jardim?
Depois
noutra esquina
Oferecidas
por uma menina
Mãos sujas
encardidas
Andrajosa e
sem destino
Rosas rubras
oferecidas
Nas mãos
casuais de um menino
São
lembranças tão cálidas
Rosas
brancas tão pálidas
É o sorriso
suave e dolente
É uma doçura
pungente
Parece um
floco do céu caído
O amor, do amor saído
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