O Brasil visto por uma clarividente

Encontrei esse relato autobiográfico escrito no final de 1996 por Anna Wolff:

Fala-se muito em Joana d’Arc: um dia teve um sonho (ou clarividência?) e foi lutar pela França. Teve um destino glorioso embora cruel. Bem eu também fiz o mesmo - mas acho que o mundo mudou - pois não tive glórias e sim desafios. Não tive um destino cruel - mas ingrato.


Através de minhas percepções compreendi com exatidão o que hoje é alarde nacional e internacional: a crise, (vizinha do caos) que ameaça o Brasil. Tudo foi uma experiência fantástica!

Sai do Espírito Santo (onde estava morando) e fui para Brasília, determinada a falar com o Presidente da República: Presidente João Baptista Figueiredo. Fui numa Kombi velha, sem recursos financeiros, mas movida por uma incrível crença interior! E ainda com meus filhos, todos 3 jovens absolutamente solidários comigo. 


Isto sem deixar de exaltar a força sustentadora, que tem sido o meu marido, sempre me apoiando em tudo. A aventura rumo à Brasília foi inacreditável. Os 3 filhos estavam de férias e meu marido é aposentado. Assim, livre de obrigações, criamos uma: sermos os salvadores da Pátria. Se eu tivesse falado diretamente com o Presidente Figueiredo teria ajudado alguma coisa?


É o que hoje nos perguntamos. Eu sequer questionei ou busquei saber em qualquer antecipação de futuro (cartas, tarot, I Ching, etc), se o Presidente me receberia. Ficamos um mês acampados no camping de Brasília, atrás do Palácio do Planalto - ver se falava com o Presidente. No último dia, na hora já de dar por encerrada minha insistente tentativa, bradei em pura exasperação para uns jovens aparentemente estudantes que ali estavam - Não é possível! Eu quero falar com o Presidente! Eu tenho de falar com ele! Preciso mesmo!

-Por quê? - me perguntaram todos.

-Por quê? Por causa da crise que vem ai! Por causa dos problemas que vão acontecer quando deixar o governo! E tanta coisa que eu preciso dizer a ele!


Eles se aproximaram mais e em tom confidencial perguntaram: - O que você vai dizer a ele? Em grande pânico de alma respondi: - O assunto é sigiloso: eu quero falar com ele! - O meu desabafo saiu no dia seguinte tipo nota em todos os jornais. Eu havia explodido minha decepção para os jornalistas. E de repente me vi fotografada de todo jeito. No acampamento surgiram as TVs - a então novíssima SBT de Brasília e a Globo. Pediam que mandasse o recado ao Presidente. E eu insisti: - Só no ouvido do Presidente!

- E por quê? - perguntou a Globo.

- Existem fones escuta clandestina na sala do Presidente. - E eu estava certa nisso também. Mas nada resolveu: voltei ao Espírito Santo sem falar com o Presidente. Nem no Palácio, nem na Granja do Torto, onde fui barrada logo na entrada.


Voltei me lembrando que já havia conversado pessoalmente com Juscelino Kubitschek nos recintos da Academia Militar, anos antes. E o havia prevenido à viva voz do risco que ele corria em ser abalroado em seu carro (ao que tudo me parecia) inesperadamente, e por pessoas com sentimentos em conflito político. Vocês sabem que assim foi. Nada que eu disse (e conversei com ele por mais de uma hora) mudou os fatos. Penso que ele não acreditou. Acreditaria então o Presidente Figueiredo?

Mais algum tempo correu (já morando em SP), e já na TV Record de São Paulo, mandei na noite da frustrada posse de Tancredo um recado para o vice-Presidente: "Segura a mão! Sua posição vai ser muito contestada, da maneira como o senhor não imagina agora!" Aquela gravação tinha sido realizada 3 dias antes e, ao ir para o ar, a maior confusão reinava no Palácio Alvorada com o impedimento de Tancredo. Os jornais que anuncio a crise à Figueredo estão ai. Verifique! O vídeo tape do meu recado ao Presidente Sarney - posso mostrá-lo a qualquer momento. Mas como poderei comprovar o que disse ao ex-Presidente Juscelino? Demais... que adiantaria provar se tudo aconteceu e não o temos mais?!


CREDIBILIDADE! Foi o que consegui com muito esforço!

Foi muito difícil: Provar. Pois o consumismo de todas as TVs é sempre o mesmo. Querem que qualquer pessoa de aparência mística "doure uma pílula" de futuro. E desde o começo bati o pé na mesma tecla: quero que perguntem o "antes" para ter a credencial do "depois". Significa quero mostrar que: o que disse antes: aconteceu! Baseada num crédito de que o que disser agora, terá a chance de acontecer: E quando acontecer quero voltar e dizer: viu? Aconteceu! Mas toda a TV só quer que eu diga: “O que irá acontecer?" É o fascínio do futuro exercendo o poder de venda! Não há tempo nem espaço para verificações. E isso eu tive de provocar, cutucar, remexer todas as produções, quase pedindo pelo amor de Deus: “oh! veja: eu disse assim... e aconteceu desse jeito!” E a resposta vinha quase com as mesmas palavras: “O que interessa o que já passou? Isso que você nos mostra, não vale mais!” E a minha insistência absurda: “Isso é o que vale!” Finalmente fui demovendo as pessoas aos poucos... Até que vigorou como verdade: “Baseada em acertos anteriores, passemos ao futuro!” Nessa tônica fiz vários programas de TV na Bandeirantes com os apresentadores:

J. Silvestre, Moacir Franco, Wilton Franco. O mais vigoroso foi com o Wilton Franco. Ele pediu-me dez fatos para acontecer 2 meses depois: eu forneci o Plano Cruzado - com todos os detalhes - 56 itens. Prevendo o tempo exato da queda de Ministros. Nem quero repetir isso. Pois alguns não gostaram nem um pouco. Por coincidência ou não, meu telefone esteve todo tempo quebrado, até que eu desisti dessa linha. Comprei outro, cujo número é sigiloso. E só funciona por referência.


A minha obsessão sempre foi registrar em cartório - com data e autenticação de assinatura as previsões feitas a nível de divulgação pública: para revistas, jornais ou TV.

Então é fantástico, como fico engasgada com as coisas que ocorrem sem a tarja identificadora: "Eu disse... aconteceu!" Vaidade isso? Ou sede de verdade, de identificação, de sinceridade, nesse mundo caótico e super controvertido, das profecias?

Mas são verdadeiras pimentas malaguetas ardendo num silêncio não assumido. -Veja só o que aconteceu na manhã da primeira quinta-feira de outubro. Logo cedo um cliente super potencial telefonou-me da Bolsa de Valores, nós entre a nossa equipe, o chamamos de clientão.

Ele entra logo reclamando pelo fio do telefone: - É; a Bolsa está subindo! Você me disse que ia cair...

- Sim, eu disse que um acontecimento político faria uma súbita parada no início de outubro.

- Bem, eu devo investir em quê, então?

- Ouro! No que cair a Bolsa, investe no metal ouro.

- Ouro? Ouro está mal! Não sustenta lucro!

E eu repeti cheia de ênfase:

- Ouro mesmo! Mas ouro metal, em espécie! Não me refiro à fundo ouro de participações! Ouro de verdade!


E o que aconteceu? Todos os jornais e revistas deram conta da súbita alta fantástica do ouro.

Pois bem: nem assim vou me referir que é a pessoa envolvida. Sabe por quê? Ele simplesmente não achou por bem investir em ouro... E perdeu na Bolsa e perdeu o lucro do Ouro...

Bem e quem pode dizer até que ponto influí no Silvio Santos?

Se ele for perguntado, garanto que não me conhece...nem sabe quem sou.


Mas na entrevista "fantasma" que foi feita aqui pela SBT (cuja cópia gravada está aqui mesmo na minha mão), a pergunta do repórter que respondi: - Ah, ele precisa fazer algo relativo ao local da empresa dele!

-E por quê?

-Mofo! Cria alergia nele que reage mal a todos os tratamentos. Pode notar quando ele entra lá, piora.

Hoje mesmo estou lendo os jornais que comentam a total mudança dos estúdios para a Rodovia Raposo Tavares. E em alto e bom som pode-se ouvir ainda o diálogo na fita de VT:

- O que ele tem de fazer? Mudar? - pergunta o repórter.

- No mínimo pintar tudo. Mas o melhor é mudar. Embora seja muito caro!

Seria o fato mudar... que ele acreditou? Nunca!

Ele vai apenas rir. Aquele riso que fatura milhões...e põe todo mundo entre irritado e admirado. Posso até adivinhar o que ele diria: “Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.”


Tem também o caso de emissoras de TVs que querem saber das coisas, mas não estão nem aí para divulgar o que a eles não interessa. Nunca se sabe exatamente quem e por que solicitou a entrevista. Fiz várias entrevistas para a SBT. Uma foi ao ar. E as outras? Bem, a última que não foi ao ar e dizia que Silvio Santos não iria prosseguir por aquele caminho político: eu tenho cópia!

A Manchete, através de uma produtora assustadora, me fez ficar no Rio de Janeiro muito mais do que eu podia - fotografou-me com toda aquela parafernália, indo ao cartório registrar as previsões. Creio que consideraram fora de uma realidade as minhas previsões. A moça produtora só queria gravar nos moldes que ela julgava adequados, dando um pulso de diálogo totalmente forjado, encenado, numa mímica de fala toda medida e me fazendo repetir mil vezes: "Conforme minhas previsões" a cada nova frase ou previsão. No final... não foi ao ar! Mas aqui estão as coisas que disse acontecendo agora. Tudo claro, registrado, desde aquele dia em cartório. Na época previ a divergência dos Governadores, com o Governo do Estado. Inclusive os desentendimentos de Governador Quércia e Governo Federal. Falei dessas greves que estão acontecendo... Do novo padrão moeda-ouro (real) e o tipo de plano que está para acontecer...


Mas se 15 horas de exaustiva gravação ficaram "congeladas", o mesmo não aconteceu com a Revista dos Dirigentes Lojistas. Recebi palavras de muito aplauso de todos os lugares do Brasil... E encomendas também! Se você julgar que entendo de política, ou estou a fim de previsões políticas, você se engana. Tenho de me manter virtualmente inócua a qualquer influência, para filtrar a verdade sem interferência de meu gosto particular. E quanto às previsões de empresa - aí está a minha especialidade. É bom saber que salvei uma indústria do fogo, outra da falência, indicando as pessoas certas para negociar os créditos, noticiei buscas de diamantes às margens do Araguaia (sem sair de minha mesa de trabalho em São Paulo), mapeei as barragens de um lago no Nordeste... Garimpei minas de ouro, no sertão, sem jamais me afastar de São Paulo. Estive em hospitais de maior renome, vi máquinas industriais funcionando e indiquei quando precisavam ser substituídas (antes de se romperem) ... Andei em vários supermercados conferindo mercadorias nos mais distantes locais.


Percorri estoques de comerciantes, preveni greves, participei de mudanças, aberturas e fechamentos de negócios...

Tudo pelo pensamento! Se viajo no subconsciente dos proprietários - pela série de números espontâneos dos mesmos - não há erros! É o inconsciente deles que está sendo revelado.

Mas se alguém quer ganhar nos movimentos de ações na Bolsa de Valores, porém tem na cabeça o assunto de uma criação de gados, é certo que seus números dirão sobre reses e sua possibilidade de problemas de doenças ou de crescimento. Para saber de Bolsa de Valores, então, é necessário uma pessoa que esteja mergulhada nesses pensamentos. Saberá com exatidão altas e quedas através dos números que me disser. E não adivinho: Eu interpreto o inconsciente pessoal ou coletivo. 

E uso a força extrassensorial para projeção telepática viajando no tempo e no espaço. E esse é o código do inconsciente.

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