Porque nosso amor deixa de nos amar de repente? Porque esse alguém a quem nos dedicamos, subitamente se atrai por outra criatura?
Consultório sentimentalPor ANNA WOLFF
Sabe aquele sentimento inesperado que de repente brota em nós, sem que mesmo possamos impedir?
É o ciúme! Assim, sem mais nem menos vem uma onda de calor que percorre todo o nosso ser! E a angústia desce sobre nossa face uma palidez fria... Depois, é a sensação de frustração.
Uma inevitável comparação, e a gente percebe que está na pior. Porque? Este alguém que surge, tem o estranho poder de captar a atenção de quem amamos. E, então, temos algum direito sobre o ser amado, ficamos furiosos como se estivéssemos sob a influência de um mau espirito.
Ah, se pudéssemos tirar de nós essa dor insuportável, esta raiva explosiva, esta ansiedade indefinida. Em nome do amor, agredimos com palavras a quem amamos, por que nos sentimos agredidos. Exigimos, o que calculamos que já perdemos.
E, por que nosso amor deixa de nos amar de repente? Porque que este alguém a quem nos dedicamos, subitamente se atrai por outra criatura? Sexo, e seu apelo inadiável, ou que despertar é esse do ser amado por esta pessoa intrusa na nossa vida?
Essa situação nos deixa furiosos e ao mesmo tempo insípidos por nossa significação. Pensamos que esse tipo é o mais privilegiado, mais moço, mais fogoso, mais culto ou mais bonito, rico, importante... Tudo melhor do que nós! Se não... Como nosso amor lhe daria atenção?
A afeição que tanto queríamos, aquele alguém levou de nós. Seja de forma definitiva ou passageira. Então, nossa rebeldia motivada pelo medo, deixa em nossa convivência um sabor azedo. E quando o ciúme é infundado? Como se sentem miseráveis os dois!Ciúme, gente, é insegurança. Com ou sem razão, temos de agir! Antes de partimos para explosões de culpa vamos nos recondicionar. É preciso que fiquemos mais fascinantes mais atraentes para aguardar. Uma roupa nova, um modo diferente de pentear o cabelo, um sol que deixa a pele mais morena, ou uma dieta, pode fazer a virada da situação! Se nada adiantar é porque já perdemos mesmo. Nesse caso, quanto mais ligeiro sairmos do erro, tanto mais rápido podemos reorganizar a vida. Senão nos conformarmos... E, ai? Bem...
Que podemos fazer, que artes mágicas podemos usar para recuperar nosso amor fugitivo?
Prosseguiremos na próxima edição.
-Esse texto foi apresentado no programa da Rádio Cipó, de Nova Friburgo, em 1978 - publicado no Jornal da Serra nesta mesma época. E no jornal A Tribuna, do Espirito Santo, em 1981. Agora é página do livro Percepção, de 2021.
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Diz Anna Wolff em conversa: "Não se permitir perder-se em suspeitas, ou tornar-se uma pessoa pessimista!".
Em outro momento, ela conversa sobre essa questão tão importante que é como manter uma amizade, como manter um relacionamento:
A primeira condição da amizade é admiração. Nós nos apaixonamos pelas qualidades daquela pessoa, e nós nos tornamos tão dedicados a ela como um crente por sua religião.
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