A saga de uma escritora para se tornar reconhecida

Encontrei este relato de Anna Wolff, no começo de sua carreira, referente a uma entrevista solicitada por uma revista da Abril.

Quando eu me casei, declarei ao meu pai que ia substituir o meu sobrenome de solteira, Gomes de Matos, pelo de casada, Wolff, ficando Ana Maria Wolff, apenas, sem o Gomes de Matos. Sei que, com isso, o magoei muito. Sabe aquele orgulho da tradição provinda do Império, em que um nome representava uma casa da corte? E ele me fez ver, então, que também o nome de minha mãe, tão nobre, representava uma aristocracia. O meu bisavô tinha sido médico de D. Pedro II. Mas esse sobrenome já tinha sido abolido por mim, pois há muito tempo eu não assinava "H. Murray". 

Anna em primeiro programa de TV na Record

A vida moderna exige simplificações. Sempre acreditei que um nome curto era fácil e bem visto no mundo empresarial e comercial. E, logicamente, no mundo dos escritores. Foi quando escrevi o curso de inglês OK Tradutor Intérprete, que meu editor exigiu de mim um pseudônimo em inglês, para dar mais autenticidade ao texto do curso. Assim, qual o melhor nome do que o da minha própria mãe? Assim, fiquei com H. Murray, Hecth Murray, que se fala. E, sob este nome, escrevi muita coisa. Na área didática, primeiro, e depois em livros sobre o tema extrassensorial e perceptivo. 

Na verdade, escrever sob o nome de família de minha mãe, o pseudônimo H. Murray, foi uma espécie de profundo resgate emocional para mim. Pois a primeira palavra escrita que vi na minha vida, aos três anos de idade, foi o nome dela. Naquele momento, como se eu sondasse um grande mistério, pensei "Ad eternum" que seria uma escritora, para escrever sempre o nome dela. Pois, há poucos dias antes, eu havia perdido a minha mãe. 

Segundo programa, 26/05/1985

E com esse nome, H. Murray, me apresentei em muitas emissoras de TV, durante muito tempo. Em São Paulo, por exemplo, entre outras. Mas, principalmente, começando no Espírito Santo, em que a primeira entrevista foi para a TV Globo, 2 de janeiro de 1980. A segunda entrevista, eles voltaram para fazer novamente outra tomada de cenas na minha residência. E, a partir daí, comecei a escrever também para os jornais da região.

Nas minhas entrevistas em São Paulo, eles começaram a confundir os nomes. No programa A Mulher dá o Recado, eles passaram a me chamar pelo meu primeiro nome, Ana. Depois, Ana Maria Murray. Então ficou Ana Maria Murray na primeira entrevista na TV Record. Depois, Ana Murray na segunda entrevista na TV Record também, no programa A Mulher dá o Recado. Aí vai vendo quanto nome! 

Fui ao programa do J. Silvestre na TV Bandeirantes, um programa ao vivo para o Brasil, para minha maior surpresa, pois queria divulgar o meu nome de escritora, lançar a marca H. Murray como escritora. Mas vi-me na hora, ao vivo, sendo chamada de Ana Maria Wolff. Ora, é o meu nome mesmo. Então, de São Paulo para todo o Brasil, voltei à terra pátria, quer dizer, bom assim, meu marido se convence então que sou feliz com o sobrenome dele, Wolff. E com esse sobrenome, tornei-me bastante conhecida em São Paulo, apresentei-me em diversas vezes, em diversos programas, alguns de repercussão nacional, que vou comentar logo depois. 

Terceiro programa, já no horário da tarde, TV Record

Foi com o tempo, quando comecei a escrever meus livros todos já em inglês, eu desisti de escrever em português, porque pensei, enquanto um escritor não é conhecido no exterior, ele não se torna um escritor de verdade. O mercado editorial americano é muito forte e muito impressionante, então eu queria vencer lá, no exterior. E o mercado de editores no Brasil era extremamente fechado, restrito, e também impactado pelos aspectos políticos. Existia uma forma de censura quanto a temas que não eram do aspecto aceito oficialmente nas editoras locais. Mas isso é apenas uma consideração minha, uma observação. Após o tempo passar, chega-se a essa possibilidade.

Entrevista na TV Cultura, São Paulo, 1985

Voltando à minha carreira de escritora, nos anos 79 e 80, escrevi o livro In-Luz, um dicionário para explicar todos os fenômenos extrassensoriais, inclusive clarividências metafísicas, minhas, que estão nesse livro e também de outros autores. Tudo com o apoio do meu marido, que tem a própria figura de um guru, na verdade, ele é mesmo, ensina-me qualquer assunto, com doce simplicidade que tem. Gosta de falar desses assuntos de percepção e explica para pessoas que não entendem ou não conhecem, com muita paciência. 

TV Bandeirantes

Ele gosta de ensinar tudo o que se refere ao mundo perceptivo e extrassensorial, com muita alegria ele faz isso, embora ele mesmo seja um estudioso e não um perceptivo. Perceptiva sou eu. Mas ele é formado em duas faculdades, é uma pessoa realizada, tem um raciocínio matemático, ele é um economista. Mas a qualquer momento em que uma pessoa pare para falar com ele e queira conversar sobre esses assuntos, ele está totalmente apto, disponível e feliz de debater e até expor amplos assuntos. Ele é o nosso esteio, ele age objetivamente, sem perder o ideal. Na verdade, ele é um crânio, como se diz na época, é uma pessoa inteligente, extremamente inteligente. (Hoje em dia, penso que se refere a um nerd - comentário de Martha Wolff) E ele investe tudo o que tem, tudo o que pode, nas pesquisas e nesse tipo de trabalho que fazemos. 

TV Record

As minhas filhas dão vida à realidade dessas pesquisas, escrevendo e movimentando, em reuniões, conferências, que eu e meu marido fazemos durante o ano todo, onde conseguimos, nas cidades em que vamos. 

29º Congresso Nacional de Diretores Lojistas, artigo de primeira página, agosto de 1988

A minha filha Vânia é direta, objetiva, entrevista as pessoas. O meu filho Reinaldo age na forma externa, em contatos com empresas e patrocinadores, e também como relações públicas, visitando pessoas que interessem em nossas conferências. 

Vânia Wolff em apresentação no último dia da TV Tupi, no Espírito Santo, em 1980

Assim, como pode notar, atuo no campo de parapsicologia e sinto que o público se fascina cada vez mais com as perspectivas e as previsões que eu apresento. 

Eu criei um método, a que chamei com o nome popular, de Loto Horóscopo, que é uma avaliação pessoal, íntima, profunda, das energias emocionais, mentais - sejam pensamentos, emoções e sentimentos - que estão no subconsciente querendo se comunicar com a pessoa, querendo expor àquela pessoa a sua verdade intrínseca, e que vem através de símbolos que eu interpreto. 

Programa da madrugada na TV Record, em 1985

Criei um conjunto de psico-relax, a que nomeei In-Vita, que é uma direção positiva que queremos dar ao nosso inconsciente para obtermos respostas mais satisfatórias ainda. Ou seja, em vez de perguntar, para alguém, perguntar a si mesmo com profundidade, com abstração dos problemas, das angústias e dos receios, e simplesmente em estado especial de alerta, é um estado perceptivo em que eu descobri esse tipo de estado que a pessoa não está em transe, a pessoa não está dormindo - ela está perceptiva e consegue entender as respostas que está buscando. 

Programa da tarde na TV Record

Comentário da Equipe:

Somente quando começou a escrever em inglês, Ana Maria Wolff escolheu o nome Anna Wolff para sua carreira de escritora, definitivamente.

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