Como um bom livro moldou o destino de uma nação

Em março deste ano, saiu o relatório Future Jobs e o destaque é que a habilidade mais procurada pelos empregadores, além da questão técnica das profissões, é ter pensamento crítico e analítico. 

E a Sky Hive, em Cornstone, informa que soft skills são as habilidades mais requisitadas, acima das habilidades técnicas. 

E qual a razão? A razão é simples. A inteligência artificial automatiza tarefas, mas não os critérios. É aqui que o livro se torna imprescindível, pois a capacidade de julgar e conectar contextos vem da leitura profunda. 

Esse é um comentário de Teresa de Castro, no Publish News, de 12 de março de 2026. 

Exemplar do livro - Foto: Reprodução

E eu, então, quero fazer aqui a comparação com a importância de um livro no destino de um jovem, de uma criança, e também no destino de toda uma nação. Como que Dom Pedro I mudou o seu destino e seu modo de ver a vida através de um livro - o livro Eneida, que ele leu na travessia de Portugal para o Brasil, quando Dom João VI saiu com toda a corte de Portugal e veio para o Brasil.

Uma cena muito bonita do livro Dom João VI, de Rezzutti, no capítulo O Brasil e o Futuro. Ele conta que durante a travessia de viagem de Dom João VI para o Brasil, saindo de Portugal devido aos conflitos com Inglaterra e França, Dom João VI estava no navio Príncipe Real. O preceptor de Dom Pedro I, José Monteiro da Rocha, que era vice-reitor da Universidade de Coimbra, não veio para o Brasil junto com a corte.

Devido a isso, temporariamente, o ex-bibliotecário real de Mafra, Frei Antônio de Arrábida, foi o responsável de ministrar ao príncipe a sua educação acadêmica e também espiritual durante a viagem. Imagine, ele se preocupava com educação, não tinha essa de ficar na ociosidade. Em plena viagem, uma cena bonita, a bordo do navio, foi que durante a viagem o príncipe não tinha medo, nem preocupação. 


O jovem príncipe participava do básico sobre a navegação. Ele participava das manobras, dos cálculos de longitude, estava sempre ocupado. Quando saía dali, ia para os livros. 

Imerso nos exercícios de navegação, ele ainda encontrava tempo para ler Eneida, de Virgílio. Por que essa obra? Essa obra foi marcante e importante na sua vida. Décadas mais tarde, ele ainda recitava essa obra de cor em latim.

Como estava dizendo, não foi por acaso que o Frei Arrábida colocou Eneida nas mãos do príncipe. A história seria uma alegoria na mente do jovem sobre esta viagem. Foi divulgado que a Família Real estaria em fuga, principalmente Junot, o militar que estava invadindo Portugal. 

Mas devido a esse livro, na mente do jovem soberano, ele não pensava na ideia de estar fugindo de um confronto, de uma guerra ou de uma situação. Na mente dele, o que ficou foi a mensagem da história de Eneida. 

Exemplar do livro - Foto: Reprodução

O livro Eneida conta sobre a queda de Troia e como o príncipe troiano Eneias, decidido a lutar até o fim, é instado por sua mãe, a deusa Vênus, a reunir a família e fugir o mais rápido possível da cidade em vez de enfrentar uma guerra. 

Ele foi procurar a esposa e só encontrou o fantasma dela, e o fantasma dela predisse que Eneias passaria por muitos obstáculos, mas iria conseguir, enfim, fundar uma nova cidade. Eneias carregou seu velho pai, Anquises, nas costas e deu as mãos ao filho, Ascânio. Ele foge de Troia e, depois de muitas aventuras, funda não somente uma, mas várias cidades - entre elas, Roma. Esta imagem na mente de um jovem de nove anos foi muito forte. 

Imagem da Wikipedia

Ele era como o Ascânio da história. Eneias era como seu pai, e Anquises como sua avó, Dona Maria I. Ou seja, Dom João carregava em suas costas o passado e na mão o futuro. Em vez de fundar uma nova cidade, fundaria uma nova nação na América. 

E isso impressionou profundamente a alma do jovem príncipe, que passou a ser um herói - símbolo de herói da nação e do país hoje em dia. 

Obra feita por Pedro Américo em 1888 e exposta no
Museu Paulista (Foto: Reprodução)

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