Um homem eternamente apaixonado

Meu avô poeta, cheio de romantismo, apaixonado pela esposa - escreveu esse livrinho “Enlevo do Meu Enlevo – Para dizer-lhe ao ouvido... Em versos... Numa surdina”, em “Curityba – 1931”. Trabalhava em um alto cargo no Ministério da Fazenda também escrevendo textos jurídicos. Então para manter a sua imagem de homem público jurista, ele escreveu as poesias sob pseudônimo. Ele gostava de sentar-se à noite com suas visitas na fazenda e declamar esses versos, com voz vibrante e apaixonada. Pois este amor da sua vida morreu muito jovem, dois anos depois desse livro.

A ARTE DE AMAR

Por Fernando Gomes de Mattos


Faze de cálculo, medita o instante

Em que dirás à bem-amada

Tudo o que em teu silêncio delirante

Architetaste n’alma apaixonada

Doma esse instante de emoção! E faze

Como a gozar cada palavra, cada phrase

Depois... deixa que em ti vibre esse assomo


Irresistível do desejo!

E colhe a bocca que te dá o beijo

Voluptuosamente, como um pomo

Que comesses, aos poucos, gomo a gomo

Que a arte do amor que está em saber despertar


A gulodice do teu paladar

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