Fato de 31/03/2004 para entender a escritora Anna Wolff
Veio a psicóloga do Hospital conversar com minha mãe-escritora, Anna Wolff, um dia após a angioplastia: - Bom dia, eu queria saber, você sente angústia?
- Não.
- Depressão? Tristeza?
- Não.
- Raiva? Revolta?
- Não, de jeito nenhum.
- Frustração?
- Não. Estou com um ideal muito grande de realizar.
- Saudade?
- Não. O que eu vivi foi com muita intensidade, foi muito bom, mas já vivi.
- Então o que a senhora sente?
- Eu sinto amor pela vida, pelas pessoas. Gosto de conversar com as pessoas. Tenho verdadeira paixão pela vida. Agora, vou fazer ao contrário. Vamos ver como é que a senhora se sente? Fale 10 números.
Ela falou a sequência de números e Anna responde:
- Você tem um casamento que mal consegue sustentar. Porque ele sente paixão e você se sente cansada de devotar uma amizade, quando não sente amor nenhum por ele. Isto está lhe apagando a alegria da vida, a vontade de realizar coisas maiores. Você pensa que só o trabalho vale. Mas aí quando tem a pausa você cai num vazio horrível porque aquele trabalho também não satisfaz a alma. Está precisando enfrentar a vida de frente, sem medo de enfrentar o que você quer, e não o que os outros querem para você.
- Sabe que a senhora tem razão? Vou pensar naquilo que a senhora está me dizendo. Muito obrigada pela consulta.
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