Solidão jamais!
Onde está a gata dos meus sonhos?
Sou um gato bonito.
Tenho olhos verdes.
E um interessante triângulo branco no meio de minha testa, em contraste com pelo muito sedoso, negro.
Minha visão do mundo, daqui do meu refúgio, é muito luminosa. Este é um vaso de cerâmica marajoara, que repousa no buffet, próximo de uma cortina verde – que combina com o tom dos meus olhos.
Acontece que este é o meu problema. Competidores demais e fêmeas... muito raras.
Hoje, por exemplo, depois de tentar uma aventura amorosa, percebi que a gatinha é jovem demais. Na verdade, ainda não cresceu o suficiente para usufruir o jogo do amor.
Diante de tão forte decepção, o pulo que planejei criou um impulso: meu refúgio foi ao chão, em mil pedaços.
Meus donos perceberam minha tristeza e me presentearam na mesma hora com a caixa de maçã.
Comecei a perceber a vida lá fora no retângulo desta moldura.
O meu mundo está mudando.
Ouço isso todos os dias, embalado com a doce voz de minha dona.
Onde está a gata dos meus sonhos?
A noite de lua cheia me faz meditar:
A solidão é o mal da modernidade.
Artigo Martha Wolff
Fotos Arthur e Vitória Wolff








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