Sair da crise: só por um passe de mágica
Entrevista para a revista Diretor Lojista, em agosto de 1988.
“Só se eu tivesse uma bola de cristal." Inúmeras vezes, esta foi a resposta de nossos entrevistados quando perguntávamos sobre as perspectivas, a curto prazo, para o País. Já há algum tempo, é praticamente impossível prever o que acontecerá nos campos econômico e político brasileiros, pois, de um dia para o outro, as coisas tomam um rumo completamente inverso ao esperado.
Isto se reflete, inclusive, no trabalho de uma publicação mensal como a nossa, que, da apuração das matérias até a saída da gráfica, pode estar um pouco desatualizada, pois o cenário nacional se modificou.
Haverá um novo congelamento? Quando sairemos da atual crise? Quais serão as próximas medidas do governo? Quando será realmente promulgada a Constituição? Estas indagações, infelizmente, não podem ser solucionadas nem mesmo pelos melhores especialistas econômicos e políticos, uma vez que tudo pode acontecer no Brasil. Diante disso, não é de se estranhar que cada vez mais empresários busquem na numerologia, na astrologia ou no tarô, entre outros, as informações necessárias para planejarem suas empresas.
Em função dessa imprevisibilidade, resolvemos procurar, no dia 3 de agosto, uma pessoa que, há cerca de dez anos, especializou-se em "previsões de futuro em negócios"? Ana Maria Wolff (AMW). Curitibana radicada em São Paulo, 58 anos, ela desenvolveu um método — Loto-Horóscopo — baseado em cores e números, que lhe permite orientar o empresariado sobre as possíveis armadilhas do destino. Neste trabalho, ela conta também com a assessoria de seu marido. Arno Wolff (AW), economista.
Para dar maior credibilidade às suas previsões — que afirma serem infalíveis — Ana Maria tem o hábito de registrá-las em cartório. Entre outras, ela garante ter antevisto o fracasso do Plano Cruzado I, quando ainda estava no auge; o incêndio na plataforma de petróleo de Enchova e a vitória de Jânio Quadros na prefeitura de São Paulo.
Quando tratamos de assuntos ligados à paranormalidade ou ao esoterismo, por mais que acreditemos, sempre pode restar uma ponta de dúvida ou desconfiança. Portanto, preferimos deixar sob responsabilidade do leitor a avaliação das previsões de Ana Maria. Afinal, "há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia"!
DL: Segundo informações, é grande a procura de empresários de vários setores por suas consultas. Este número cresceu mais em função da crise?
AMW: Não acredito que seja maior a procura dos empresários, mas sim a divulgação do meu trabalho. Conforme eles vão sabendo, é irresistível, porque tudo que o empresariado quer saber é aquilo que vou dizer: estoque, mercadorias, oportunidades de comércio, contratos, financiamentos etc. É uma atividade completamente diferente de cartas, búzios, tarô. Eu não desprezo a ciência alheia, mas apenas identifico minha atuação de forma diferente das demais. Só isso. Essa atividade vem desde a época em que eu assessorava meu pai, que foi o criador do Imposto de Renda no Brasil. Ele tinha vários processos para resolver e, antes que viesse a solução, os clientes e as firmas já queriam informações se iria dar certo ou não. Assim, as consultas começaram a se tornar uma constante, bem como as respostas, que sempre se confirmavam.
DL: Quando começou a ter o dom de fazer previsões?
AMW: Acho que durante a minha vida inteira, eu o tive. No início, neste assessoramento a meu pai, eu era jovem e ainda solteira, só que tinha outras atividades. Fui professora de inglês e escritora. Até que, então, resolvi me dedicar a esta minha fonte maior de conhecimento interior, que era mais forte do que as outras atividades. E isto foi dando certo e cada vez mais certo.
DL: Como foi sua formação nesta área? A senhora tinha o dom e foi desenvolvendo-o?
AMW: Eu me formei em Letras e Inglês. E, enquanto meu marido cursava a faculdade de Economia, eu ia estudando com ele em casa. Assim, acabei, de certa forma, "tirando uma faculdade por tabela". Eu nunca pensei que ia fazer alguma coisa com aquilo, pois, para mim, não era minha verdade, e sim o inglês, a literatura. Eu comecei fazendo previsões pessoais...
DL: Que sempre se confirmavam?
AMW: Sempre. E nas previsões pessoais, o que causava espanto era a maneira como eu fazia: eu não queria que ninguém falasse nada quando viesse me consultar. As pessoas ficavam surpresas, pois mesmo sem falarem nada, se estava certo ou errado, eu "abria o verbo" com elas. Depois, comecei a desenvolver outro tipo de trabalho. A pessoa me dizia números e cores e eu lhe dava todo o panorama de sua vida: se suas iniciativas dariam certo, seu trabalho, se a convivência com as outras pessoas lhe era favorável ou não, suas viagens; a saúde, enfim, tudo o que faz uma pessoa feliz.
DL: E como funciona esse método? É baseado somente nas cores e nos números ou utiliza outros elementos?
AMW: Números e cores; nome da pessoa, se é casada ou não. Se tiver filhos, a pessoa me dá a data de nascimento da esposa e dos filhos, que eu darei informações sobre eles. Isso é a previsão pessoal. Mas a de empresa, que é a mais solicitada, reúne todos os assuntos comerciais profundos, conforme cada parte de interesse: se deve realizar ou não determinado contrato, se deve vender a empresa e aplicar o capital etc. Temos que fazer um estudo completo, projetando a empresa no futuro. Recentemente, prestei atendimento a uma holding, que reúne dez empresas. E o empresário quis saber, não só sobre cada uma delas, como também sobre todos os gerentes e funcionários. Enfim, há toda uma série de fatos que ninguém vai dizer para o empresário. E ele, recebendo uma informação assim muito positiva, tem meios de reagir. Por exemplo, um laboratório que trata de assuntos altamente secretos, porque trabalha com tecnologia de ponta, me procurou e eu disse “No seu departamento de planejamento, está havendo vazamento de informações”. A empresa pesquisou e conseguiu pegar um camarada levando planos que deveriam ficar na gaveta.
DL: O método de Loto-Horóscopo foi criado pela senhora?
AMW: Foi. O nome é um pouco esquisito, não? Às vezes, as pessoas podem até pensar que não é muito eufônico. Acredito que se fosse criado por outro paulista, colocaria “associação mundial de alguma coisa”. Mas eu preferi reunir os dois nomes mais comuns do brasileiro, para que eu pudesse me identificar mais com ele. Por que este nome? Se as minhas previsões são feitas através de dezenas de números, já é o princípio da Loto. Horóscopo, o que quer dizer? É a descrição. Ou seja, através dessas dezenas, vou descrever os fatos que estão envolvendo aquela pessoa. Que eu saiba, não há nenhuma pessoa especificamente orientada para fazer esta atividade.
AW: O fundamental que Ana Maria descobriu é a decifração do código do inconsciente. Isto foi uma tentativa feita pelos psicanalistas Sigmund Freud e Carl Jung. Freud, no final de sua existência, a partir da pesquisa do aparelho psíquico, começou a dar razão a Jung, vendo um outro campo da psicanálise, que seria o eu mais profundo.
MW: O Arno é economista e me dá todo o levantamento econômico da área, e com isso vou falar especificamente usando o dom.
AW: Eu faço um apanhado do pensamento que circula no País, em termos de economia, planejamento e política. Baseados nesta essência, captamos as grandes transformações, ansiedades e respostas que o empresariado quer, para poder equacionar a sua empresa, a ponto de ter lucro e não passar por fases negativas. A partir do momento em que captamos essa essência, Ana Maria faz um estudo do inconsciente do empresário.
DL: E qual é o tempo de duração de cada consulta?
AW: Não há tempo de duração; temos soluções. A pessoa telefona, dá as dezenas e, com estes números, Ana Maria decodifica o inconsciente do empresário e equaciona a sua empresa face ao futuro. Ela grava uma fita e lhe envia para qualquer parte do país.
DL: Não há necessidade, portanto, da pessoa estar presente à consulta?
AMW: Não. Houve um caso em que eu disse ao empresário que a sua declaração de Imposto de Renda estava com problemas na missão de notas, o que lhe traria sérias dificuldades com a fiscalização. No dia seguinte, o fiscal estava na sua empresa. Até parecia que eu tinha alertado o fiscal, mas não é nada disso. E ele me perguntou: “E agora?”. “Bem, agora, começa toda uma assessoria para você se safar destes problemas”.
AW: O trabalho de Ana Maria previne, e uma pessoa prevenida vale por duas. Então, a sua assessoria é especial, pois ela prevê o que vai acontecer e alerta a pessoa. Se os pensamentos de determinado empresário estão bem conduzidos, mas precisam ser melhor elaborados, é necessária, por exemplo, assistência de um consultor jurídico.
DL: E qual é a probabilidade de as previsões não se confirmarem?
AMW: Ainda não houve erro. Sabe por quê? Porque eu trabalho com o inconsciente. Não sou eu quem acerta ou não, o inconsciente de uma pessoa não mente. A verdade está dentro de seu inconsciente. E se você a interpreta, ela será sempre a verdade. Não sou eu quem vai lhe dizer a verdade, é você que a tem dentro de si. Eu apenas a traduzo.
DL: Mas não é difícil fazer previsões num país tão imprevisível como o Brasil?
AMW: É aí que está a minha vantagem. Por exemplo, em 86, estive na TV Bandeirantes - até não foi bom para eles, pois os coloquei em situação difícil. Sabe por quê? Fui ao programa para antecipar tudo o que iria ocorrer com o Plano Cruzado I e levei uma pasta registrada em cartório, com todos os fatos que aconteceriam. O apresentador, inclusive, chamou um neurologista para saber se eu era uma pessoa sã, porque o que eu estava falando era uma loucura: disse quanto cairia a inflação; como ficaria o empresariado e dei até as datas de queda de todos os ministros.
AW: Ela falou que a inflação não seria controlada através de um decreto. Ora, se o congelamento era um decreto para controlar a inflação, isso era ilusório. Quando o Plano estava no auge, ninguém poderia admitir que seria um fracasso, como ela afirmou. Hoje, depois que aconteceu, todo mundo diz que estava na cara que o congelamento iria fracassar.
DL: Mas no caso de a pessoa saber o que vai acontecer na sua vida, ela pode realmente fazer algo para mudar este rumo?
AMW: Pode; justamente aí está a vantagem da previsão. Se fossem fatos inexoráveis, não adiantaria prever. O destino não é fatal. Suponhamos que você tem uma tendência para determinados fatos, se você mudá-la, corrigirá aqueles resultados e passará a ser mais dono de seu destino. Você tem o direito de escolha de seu destino.
DI: Quem são seus clientes mais frequentes? Poderia dizer nomes ou pelo menos o perfil?
AW: Não citamos nomes de clientes, por uma questão de código de ética. É sigilo total. Você confia em nós e é um trabalho de alma. Ana Maria só debate na sua presença. Não fica nada guardado nos arquivos, a não ser os números, que só ela pode decifrar. Como clientes, temos multinacionais alemãs, americanas, japonesas e inglesas; empresas pequenas, corretoras de bolsas de valores, pequenas firmas que operam em câmbio, fazendeiros... Todos os tipos de empresários, independentemente do ramo, setor ou porte. Há japoneses que vão plantar maracujá e nos consultam. Embora sejam técnicos, conheçam a terra e tenham a assistência de cooperativas, eles não podem antecipar o clima, a produtividade, se o produto vai ter competitividade, preço ou lucro.
DL: Como são feitas as previsões globais para o país?
AW: Ana Maria está para registrar amanhã em cartório as previsões que fez hoje (3/8/88), entre meio-dia e 14 horas, a partir dos números dos dois últimos resultados da Loto e da Sena. Para nós, estes números representam o inconsciente coletivo do país. Ao jogar, todo cidadão brasileiro lança também suas esperanças e concentra seu pensamento nestes assuntos. Então, o país vibrando, concentrando e jogando todas as suas esperanças, este pensamento é uma energia que se transforma em fatos futuros. Nos resultados, há uma linguagem, em termos de ângulos e de futuro que, quando decifrada, revela o que vai acontecer em cada área: economia, finanças, políticas e em cada ministério
DL: Quais foram as previsões que a senhora fez hoje?
AMW: Teremos um plano econômico totalmente diferente deste que está sendo feito e que será o começo de uma certa recuperação do país, pois haverá um pouco mais de equilíbrio. E o que acontecerá será o seguinte: a inflação começará a ser encarada sob outro ângulo. Este plano será auxiliado pelo ex-ministro Mário Henrique Simonsen, mas também terá o dedo de um oriental. Será um projeto mais ou menos composto e não só de uma pessoa. Este plano será bem-sucedido.
DL: Mas dará resultados a curto prazo, no sentido de sairmos da atual crise econômica?
AMW: Até o fim do ano, sim. Sair da crise, de repente, só por um passe de mágica; não acredito que possa ocorrer assim. Mas começarão a ser resolvidos problemas cruciais. Uma das coisas muito importantes é a questão da URP e de redutor. O presidente José Sarney, por enquanto, não quer modificar isso. E aí, os operários vão deflagrar um movimento muito tumultuoso. Por causa disso, o Presidente está querendo ouvir os seus ministros. Ele não quer modificar nada na URP. Baseado neste novo plano econômico, com o pensamento oriental que o Presidente colheu em suas viagens, isso irá modificar o estilo econômico que está adotando. E, logo, logo, vai se ter uma noção desta modificação.
DL: E haverá mudanças substanciais nos ministérios?
AMW: Conforme minhas previsões, o Presidente não vai conseguir manter o que prometeu ao FMI. Embora queira cumprir a curto prazo, não conseguirá. Isso incomodará o Ministro Maílson da Nóbrega, que dificilmente ficará na Fazenda, porque contraria suas opiniões básicas. Portanto, com o seu afastamento, virá outra pessoa. Não que ele seja demitido: ele não gostará, porque prometeu ao FMI quatro itens fundamentais que não poderão ser atendidos, por pressões da própria situação. E ele próprio vai querer se afastar.
AW: E virá um novo ministro da Fazenda que todos conhecem, pois já esteve neste cargo e é gordinho.
DL: E com relação à Constituição, quando será promulgada?
AMW: Ela será totalmente modificada. Pode até chegar a ser promulgada, mas não será a nossa Carta Real. Ela será alterada, quase que radicalmente.
DL: No primeiro semestre, o comércio registrou uma série de quedas nas suas vendas. Até o final do ano, poderá haver uma reversão deste quadro?
AMW: Após o segundo semestre, sim, mas até lá, ainda será um período difícil. O que vai acontecer é que a inflação ainda vai subir mais um pouco. Muita gente se refere a capital, OTN... Mas a tendência será a base preço ouro. O padrão-moeda brasileiro será o ouro, principalmente depois da descoberta de uma grande mina no Triângulo Mineiro. Será uma mina tão ou maior do que a Serra Pelada, quando, então, vai interferir no pensamento financeiro. Além disso, haverá a descoberta de mais petróleo. Mas uma das coisas mais impressionantes é que o Brasil se tornará o celeiro do mundo.
AW: Ao lado desta ferrovia Norte-Sul — que o presidente José Sarney insiste em construir — e do projeto dos grandes lagos que surgirão nestas proximidades, haverá culturas de cereais, de frutas e peixes em quantidades tão grandes que japoneses irão se radicar nessas regiões, através de convênios e empréstimos que darão ao Brasil.
AMW: Nestas regiões, que hoje são áridas, haverá grandes criações de peixes pelos japoneses. Estes lagos farão o quê? Trarão um clima diferente, que fará a precipitação de chuvas na região. Com isso, o Nordeste deixará de ser árido e seco.
DL: Mas isso ocorrerá a curto prazo?
AMW: Assim que surgirem os lagos. Por isso é que, mesmo que estejam impedindo o Presidente de construir a ferrovia, ele tem que fazê-la. Deixem a política e as vaidades de lado. O que o presidente José Sarney veio fazer? A ferrovia e os lagos. Se ele fizer só isso, todos os seus pecados estarão sanados. Se ele a construir, os japoneses se instalarão ao lado da ferrovia, fazem o maior celeiro do mundo e o Nordeste se tornará produtivo.
DL: Portanto, o presidente José Sarney sairá bem-sucedido de seu governo?
AMW: Não será reconhecido logo ao sair do governo, mas sim com o tempo. Seu empenho em construir esta ferrovia, independentemente de verbas, é porque ele sabe que tem que fazê-la. Só tenho pena de que ele não esteja falando dos lagos que também deverá fazer. Ele tem que fazê-los, goste o Brizola, não goste o Jânio; não interessa.
DL: Com relação ao índice inflacionário deste ano, a senhora acredita que superará todas as previsões?
AMW: O novo plano tem tudo para ser triunfante. São necessários apenas alguns reparos. Há qualquer coisa nele que ainda não está completamente vitoriosa. Mas ele será revisto por causa de uma severa crítica que irão fazer. A partir daí, o Presidente verá novas possibilidades e adotará um outro pensamento. Neste momento, entrará também a assessoria de um japonês, acredito que seja até o Shigeaki Ueki (ex-presidente da Petrobrás), dando uma forte colaboração. E vai mudar toda a economia novamente. Cruzado não vai mais se chamar. Vamos passar um período muito bom para alguns, e muito ruim para outros, como foi o Plano Cruzado.
DL: Bom e ruim, especificamente para quem?
AMW: Para os próprios empresários. A população sempre sofre com todas as mudanças. Mas o fundamental é que isso vai mudar o Brasil. A partir do próximo ano, muitos japoneses virão habitar as proximidades da ferrovia Norte-Sul. O que você pensa quando eu digo que a missão divina do Presidente é construir essa ferrovia, para que o Brasil se torne o grande celeiro do mundo? O que se dirá de um presidente desses, apesar de todos os erros de sua política? No frigir dos ovos, ele passará para a História como o vulto que impulsionou o Brasil para superar, no mínimo, o problema da fome.
DL: E quanto ao próximo Presidente da República, é possível nos dar pelo menos suas características?
AMW: Olha, a grande dificuldade será a seguinte: Jânio Quadros diz que não quer, mas é a pessoa que tem mais condições de ser o próximo presidente. E é também o único que não deve sê-lo, porque será assassinado. E ele também não tem saúde para enfrentar isso.
DL: Afora o Jânio, qual seria o outro possível presidente?
AMW: O Brizola, pela sua popularidade, tem condições, mas não chegará lá, devido às manobras que serão feitas para derrubá-lo. Ele não conseguirá vencer essas manobras.
DL: O processo de transição democrático brasileiro se consolidará ou há perigo de um retrocesso?
AMW: Não é questão de retrocesso; é questão de necessidade de reformulação do texto constitucional. Na época da promulgação da constituição haverá uma dificuldade política. E mesmo que seja promulgada, haverá um novo estudo para a sua reformulação. Ocorrerão muitas acusações e censuras de lado a lado: uns achando que não está redigida corretamente, outros falando que está mal planejada. Enfim, os assuntos só foram levantados; eles serão redigidos e reorientados.
DL: Mas quando será promulgada?
AMW: A Constituição pode até chegar a ser promulgada; isso vai depender muito do fator vida das pessoas envolvidas no momento. Mas eu não faço previsões de morte. Vejo situações críticas, muito críticas, mas se chegar a ser promulgada, não vingará, pois não é realmente a nossa Constituição.
DL: Quais os conselhos que a senhora daria ao empresário lojista, neste momento tão difícil?
AMW: Iniciativa particular: quanto maior, melhor. Muita iniciativa e criatividade máxima, pois tudo que é criativo e diferente, vende. Não desistir nunca. Entusiasmo é fundamental.
DL: Em suma: este semestre ainda será difícil, mas pode se ter esperanças para 1989?
AMW: Eu dou total esperança e força para a pessoa prosseguir, vivemos momentos difíceis, mas se você souber que está participando de uma era de reconstrução, de replanificação de metas, é nossa obrigação participar. Deve-se dar força para a pessoa ter coragem e não ficar só aplicando no overnight, procurando só tirar dinheiro. A pessoa que só investe no mercado financeiro não está fazendo crescer o país. Portanto, acreditando nestes investimentos, naquilo que está produzindo, a pessoa tem condições de ganhar dinheiro acima do over. Além disso, estará participando de uma tremenda empresa que é o Brasil. Ninguém quer deixar de ser brasileiro, quer? Todos falam: “Este Brasil não tem jeito; o Brasil é isso e aquilo”. Mas pergunte se o brasileiro, voluntariamente, quer deixar de ser brasileiro.
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