A sincera busca de si mesmo faz encontrar a sua verdade interior que, na verdade, é a expressão Divina dentro de si. É a mais alta aspiração do ser humano - e isso não há como contestar!
Jornal A Gazeta, Caderno 2, Domingo - Vitoria, ES
25 de novembro de 1979
A parapsicologia, tentando ser levada a sério.
| Convento da Penha, Vila Velha - ES |
H. Murray é uma parapsicóloga do Rio radicada em Vitória. Ela tem programas de rádio onde faz o horóscopo diário dos ouvintes. Aqui, ela fala sobre seu trabalho.
A GAZETA – Gostaria de saber o
que você entende por parapsicologia.
H. Murray – Em princípio, parapsicologia
é aquilo que está além da psicologia. Atualmente, eles acham que este termo
parapsicologia não define bem a ciência em questão; eles acham que um nome
melhor seria psico-bio-física. Quer dizer, é a parte psíquica da vida da pessoa e a parte física também. A psicologia já não define a parapsicologia; dizer
além da psicologia já não resolve. Todos os fenômenos que a mente é capaz de
fazer, a parapsicologia estuda. Veja bem, o parapsicólogo nunca é uma pessoa
que chegou a uma definição: é sempre um pesquisador. Pode notar que todos os
centros de parapsicologia levam o nome de pesquisa. Porque nós não temos nada
do estilo assim: acabou o estudo, está tudo pronto. Não, porque trata-se de
pessoas, de seres humanos. A finalidade da parapsicologia é a aplicação em
todos os campos que você possa imaginar. Dentro da advocacia, você usa a
parapsicologia dentro do setor criminal, por exemplo, pessoas que
desapareceram, crimes insolúveis. Na parapsicologia nós temos o sensitivo, que
no espiritismo se chama de médium - só que o médium recebe um espírito de
fora, enquanto o sensitivo recebe a força mental. Ele pega a força mental e
através dela é capaz de desvendar fatos. Temos aplicação também no setor
médico. Aí nós temos o tratamento por regressão de memória. Agora você pode
querer saber que diferença faz tratar por regressão de memória e psicanálise. A
psicanálise também faz uma volta ao passado, à infância, a tudo o que se passou
com a pessoa para poder tratar e chegar a uma evidência. Bom, a parapsicologia
faz isto, mas o faz por métodos diferentes. Então a pessoa faz um relax – e aí você
pode perguntar o que é um relax, que é o princípio de todos os fenômenos
retros e nós temos aqui fitas de relax para direcionamento da pessoa. Através
disto, a pessoa é capaz de perceber coisas que em seu estado natural de
consciência não percebe. A pessoa é capaz de revelar coisas sobre si própria que no estado normal de consciência nem tem conhecimento. Quando um bebê nasce,
as pessoas olham para ele e dizem: não sabe de nada, não entende nada. O bebê é
como se fosse este gravador, está gravando tudo e não tem condições de depois
fazer o rewind e ouvir o que ele gravou, ou seja, aplicar o que ele gravou. Ele
vai fazer isto na idade de 12, 13 ou 14 anos. E aí começam os conflitos.
A GAZETA – Até que ponto você
pode chamar a parapsicologia como uma ciência no sentido do tradicional?
H. Murray – No sentido
tradicional, ela não foi ainda bem aceita. Nos Estados Unidos, dentro da
psicologia há uma cadeira de parapsicologia. Nós estamos, no Brasil, propondo a
criação de uma faculdade. Isto porque ela não se adapta a matéria ou a ramo
nenhum. Eu falei que dentro da advocacia a parapsicologia é usada. E também na
medicina. Dentro da medicina nós temos tratamentos incríveis. Entretanto, pela parapsicologia, nós pomos a pessoa na
cadeira de relax, fazemos a regressão de memória, apanhamos as causas
fundamentais e a pessoa fica inteiramente normal. Quer dizer, isto é uma
bandeira branca para milhares de pais.
A GAZETA – Mas a psicanálise e
a psiquiatria já conseguiram foros de ciência. E quanto à parapsicologia?
H. Murray – A coisa mais difícil
do mundo foi Freud colocar a psiquiatria dentro de uma faculdade. E agora eles
estão querendo cortar. Freud nos deu o mapa da mina: nós, seres humanos, temos um
aparelho psíquico. Agora, tem uma nova psicologia, que é a psicologia
transpessoal, que fala do pai, do filho, mas que no final cai na psiquiatria. O
que sai da trilha é a parapsicologia, que tem soluções rapidíssimas. O que na
psicanálise você demoraria sete anos para uma cura duvidosa, com a regressão de
memória você com três, quatro no máximo, tem o reequilíbrio da saúde.
A GAZETA – Mas não existiria
nenhuma contradição entre a psiquiatria e a parapsicologia?
H. Murray – Bom, na psiquiatria o
que se trata são as doenças, enquanto na psicanálise o que se trata são os
desajustes. Agora, a parapsicologia é a resposta mais avançada que existe, no
sentido da eficiência e de resultados. A parapsicologia pega uma pessoa cheia
de problemas e em pouco tempo soluciona todos eles. E uma bandeira branca para milhares
de pais que veem seus filhos entrarem para as drogas e não saber o que vão
fazer.
A GAZETA – Há cientistas que
colocam muitas indagações sobre a parapsicologia...
H. Murray – É claro que há, até
hoje Freud não é muito aceito. Mas o que importa não são as indagações.
A GAZETA – Bom, mas ninguém
nega que Freud tenha sido um cientista.
H. Murray – Agora, depois
de cem anos, ele foi negado durante todo este período. Agora ele entrou em
faculdade, mesmo assim já o estão cortando. Qualquer modificação nas leis
tradicionais precisa quase de um século para ser aceita. A parapsicologia está
numa fase de grande contestação. Mas eu não estou interessada na contestação.
Arno Wolff – A medicina demorou duzentos anos para aceitar que o corpo humano tem veias e artérias onde corre o sangue. Mas a acupuntura chinesa disse há cinco mil anos que existe um sistema circulatório de energia magnética. São coisas completamente diferentes. E, no entanto, em vez de nós usarmos agulhas de massagem para fazermos tratamento por acupuntura, nós criamos uma técnica de relax, onde usamos o poder mental. A grande descoberta de H. Murray que foi inclusive uma tese apresentada em um congresso de parapsicologia no Rio recentemente foi mostrar como captar energia magnética pelo poder mental. É uma tese que nós temos: uma pessoa captando energia do sol quando nasce; da semente que desabrocha, pelo seu poder mental, em sintonia com os chacras, que o Zen Budismo apresenta em sintonia com os elementos, de sorte que aí já entram coisas bem transcendentais. H. Murray está apresentando um programa de horóscopo aos sábados no canal seis e na rádio Vitória, às sete da manhã e às três da tarde diariamente. Mas está apresentando o horóscopo único a cartas do tarô. Quer dizer, nós estamos começando a apresentar um entrelaçamento de todos estes conceitos de ordem transcendental e apresentando algo de prático e objetivo. Se você, com um áudio, escutando deitado em casa, de olhos fechados, na hora de dormir, consegue fazer mentalmente uma captação de energia magnética e alojar esta energia no núcleo de células, reativando-se, energizando-se, vitalizando-se, fortalecendo-se, você vai ter muito mais saúde e vai prolongar a sua existência: em vez de você ter uma média de setenta anos, você pode ter cento e cinquenta, trezentos anos de vida.
A GAZETA – E já existe caso de
trezentos anos de vida?
A. Wolff – Não, porque isto é uma
tese que nós estamos apresentando. Mas os grandes esotéricos da humanidade
viveram isto – os exemplos estão narrados na Bíblia. Se a parapsicologia já foi
conhecida na antiguidade, pelos profetas, nós simplesmente estamos redescobrindo,
em termos hoje de codificar isto como ciência.
A GAZETA – Qual é a participação do orientalismo dentro de parapsicologia?
A. Wolff – Esta captação de energia magnética e esta técnica de relax criada por H. Murray, vão ser exportadas, com toda certeza, para a Índia, para a China, para esses países de religiões antigas, como o budismo, o bramanismo, religiões que pregam a união com o cósmico, com o Todo. Nós começamos a compreender que todas as grandes revelações do mundo ocorreram quando as pessoas atingiram uma pacificação do seu ser em alto grau. Essa pacificação pode vir através de ioga, exercícios de contemplação ou meditação. Mas nós criamos uma técnica gravada em áudio. O que nós usamos é uma coisa curiosíssima: é uma música de violino de fundo e a voz de H. Murray, que é extremamente hipnótica e que é um ser diferente, que tem a pacificação e a luz dentro de si. Palavras estas que não são psicografadas como as de Chico Xavier, mas são captadas do cosmo, por sintonia cósmica, é uma técnica bem elevada, vinda de pessoas que já atingiram um alto grau de evolução espiritual, que têm vivência cósmica, que têm comunicação cósmica, em nível diferente do espiritismo, que trabalha na quarta dimensão cósmica. Então, já existem conceituações mais modernas defendidas por H. Murray, sob divisão cósmica e ela opera em quinta e sexta dimensão. De onde vem esta captação de conhecimento, esta técnica e esta palavra maravilhosa. Quer dizer, isto é uma revolução em termos de parapsicologia aplicada.
A GAZETA – Em qualquer
ciência, quando se faz uma afirmação, é preciso que haja um corpo de provas
bastante consistente. Onde se localiza a fundamentação da parapsicologia?
H. Murray – Nós temos aqui uma
reportagem escrita por mim e que foi comprada pelo O Cruzeiro sobre D. Pedro
II reencarnado. Isto foi uma coisa muito bonita, uma captação que nós fizemos
de um espírito que se diz Pedro II. Então, nós fizemos todo o apanhado das
provas: as mãos de D. Pedro II e desta pessoa são idênticas, assim como as
testas e os olhos. Isto porque quando uma pessoa reencarna, a testa, mãos e
olhos permanecem semelhantes. Eu vou lhe explicar por quê: os olhos são a luz do espírito; a
testa é a projeção do pensamento e a mão são as obras. Quem defende isto é Jan
Stevenson, que é o Papa neste assunto de pesquisa em reencarnação e é um
americano da Universidade de Virgínia.
A. Wolff – Sobre este caso, usando regressão de memória, nós temos quase onze horas de fita gravada, dando a impressão, pela inflexão de voz e pelo português arcaico, de ser o espírito efetivamente de D. Pedro II. E o discurso da maioridade, que não existe nos anais da História do Brasil, nós o temos gravado. Nós temos mais de trezentas fitas gravadas de experiências feitas na área profunda do inconsciente. E todas as experiências mais profundas no campo da clarividência. Uma clarividência distinguida da clarividência horizontal, que não se refere a fatos cotidianos, imediatos de vida humana, mas clarividência vertical que só pode ser percebida quando o ser tem a luz divina. Nós temos casos, nos Estados Unidos, de pessoas que entravam em transe e, sem jamais terem tido nenhum conhecimento de medicina, eram capazes de fazer um diagnóstico. São casos que a psicologia transpessoal já está aceitando: pessoas que atingem uma consciência cósmica e mudam completamente o comportamento, ele muda, passa a amar a humanidade, então ele já não ama apenas seus familiares, ele ama o ser humano de uma forma geral. Ele é capaz até de fazer milagres de cura. Então a melhoria de condutas de criatividade de um ser humano que atinge uma consciência cósmica é muito grande - para quem acredita, nós estamos aptos a fazer experiências neste campo. Um professor de Belo Horizonte de psicologia transpessoal, Weil, alega que há possibilidade de que uma pessoa que atinge uma consciência cósmica seja capaz de uma captação de pensamentos com seres não corpóreos, com seres espirituais.
A GAZETA – Você faz um
programa de astrologia. Agora, existe uma astrologia marginal. Como você
separa a astrologia?
H. Murray – Uma coisa é uma
pessoa chegar e querer dar um palpite. Você conhece o leigo; ele entra
pirateando a área. A pessoa que conhece o assunto deixa o conteúdo, de forma
que com o passar dos dias, você vai ver que aquilo aconteceu. Osmar Cardoso
largava uma coisa chamada conhecimento: as coisas que ele dizia aconteciam porque ele demonstrava profundo conhecimento na área. Você pode notar no
programa que eu fiz para este sábado que eu vou dizer o prognóstico de sábado,
do domingo e da semana. Você vai ver pela análise de cada signo que havia um entendimento e que o povo apenas incorporou e aconteceu!
A GAZETA – A função da astrologia
seria prever acontecimentos?
H. Murray – Dá para sentir o
passado e projetar o futuro. Mas não pode ser uma coisa tipo Nostradamus. Nostradamus
teve uma clarividência.
A GAZETA – A revista
"Planeta" parece ser um órgão oficial da parapsicologia.
H. Murray – De fato. Ela é praticamente
a única. Agora eu estou propondo ao Cruzeiro fazer uma coluna como freelancer,
não definitivo. Estou propondo a eles entrarem diretamente dentro da
parapsicologia.
A. Wolff – Aqui no Espírito Santo nós somos cinco parapsicólogos que fazemos pesquisas nesta área.
A GAZETA – Em relação à
revista "Planeta", existe, na Europa, uma acusação de que ela seria pseudocientífica.
H. Murray – A revista Planeta não
incorpora nenhuma escola definitiva. Ela simplesmente veicula artigos sobre o
assunto. Agora, eu gostaria de dizer que o importante do nosso trabalho são
esses áudios do "Relax In-Vita", que contêm praticamente a síntese de
nossas pesquisas.
A GAZETA – Agora, há uma
acusação contra a psiquiatria e contra a psicanálise - de que elas seriam como
soldados do sistema: recolocariam dentro do jogo os que desrespeitaram as regras,
restituindo-os à sociedade. Essa seria a função também da parapsicologia?
H. Murray – É claro, a reação do
indivíduo não pode ser doentia.
A. Wolff – Nós podemos fazer uma
mudança de polaridade: se a pessoa está triste, com tendências negativas, pode passar a se tornar alegre, a ter tendências de reação positivas. E pode-se fazer isto através do poder divino. A
meditação transcendental é baseada num mergulho do indivíduo em busca de si mesmo, de sua verdade. À
medida que o indivíduo mergulha em si mesmo, ele vai despertando uma expressão maior de sua essência Divina.
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